segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Ser mãe é ter o coração fora do corpo


A arte de ser mãe não é ensinada nas escolas, não se herda ou se aprende em livros. Se sente, nasce e aparece como um escudo que te dá forças que você nunca pensou que possuía.
Ser pai, avô, avó, tio ou tia também é descobrir como uma parte da nossa essência toma forma e conquista nossos corações. É maravilhoso. No entanto, o simples ato de dar à luz uma criança estabelece uma ligação mais forte e íntima entre mãe e filho.
“Ser mãe é dar forma a um amor que você não acreditava que existia. E ainda que seja claro que qualquer mulher pode dar à luz, você sabe que a sua experiência é única, você se sente mais viva, e todos os dias se maravilha com a forma como algo tão pequeno pode ser tão grande…”
Quando a mulher segura sua criança em seus braços, por vezes, estabelece pequenos pactos entre seu filho e ela mesma. Em voz baixa, quase entre sussurros ela promete fazer o seu melhor para torná-lo uma pessoa feliz, para protegê-lo de possíveis danos, e apoiá-lo todos os dias de sua vida em todas as decisões que tomar.
Seu coração torna-se maior, e com ele, a capacidade de amar. É um amor tão distinto e poderoso que te faz perdoar o que os outros não perdoam e não se importará com as noites sem dormir, as noites em claro quando seu filho está doente, os medos do escuro …
Eles são crianças uma vez em sua vida, mas você sempre vai ser sua mãe. E é uma aliança que você aceita com grande serenidade, sabendo muito bem o que isso implica. Responsabilidade. Porque ser mãe, ser pai é uma aventura que sempre vale a pena.
Maternidade: um laço invisível que nutre, educa e libera
Algumas percebem “seu tempo”. O momento em que decide tornar-se mãe, porque sente, e porque sua situação pessoal lhe permite. Em outros casos, permanece como um imprevisto que no primeiro momento confundo, depois é aceito e, finalmente, se destaca como o melhor ato não programado de suas vidas.
“Ser mãe é estar ligada a seus filhos por um fio invisível que não pode ser cortado.”
Se há um aspecto que muitas mães (e pais) teme medo é falhar em alguma coisa. Não agirem bem. Às vezes muitos de nós temos em mente os erros dos nossos pais, aqueles que não queremos repetir:
Um desapego profundo que não nos permitiu estabelecer uma ligação adequada com eles.
Sentir nos dias de algumas carências geradas desde a infância: a falta do reconhecimento, insegurança, comentários.
Ter recebido um estilo educativoautoritário, onde nunca houve um verdadeiro diálogo, apenas a rigidez, a distância e frieza.
Ou, pelo contrário, ter sofrido as consequências de uma educação superprotetora que vetou o crescimento pessoal, capacidade de escolher, ter segurança …
Claramente, ninguém tem o manual perfeito de boa mãe, bom pai, mas o que devemos entender é que não se trata de ser a mãe perfeita, se trata simplesmente de ser mãe, e por isso é adequado aplicar estes princípios.
Você acompanhará os seus passos, oferecerá seus valores para educar uma pessoa livre e feliz
Se há algo que toda mãe quer para seus filhos é a sua felicidade. Por conseguinte, é conveniente estabelecer desde o início uma ligação significativa e forte.
As crianças precisam sentir um apego seguro em seus primeiros anos. Com isso, se sentirão amadas, integradas em sua primeira esfera social, a família.
Uma criança reconhecida, amada e valorizada na família, se sente mais segura para explorar o mundo.
Como mãe, você deve oferecer os valores essenciais que te definem: respeito por si mesmo e pelos outros, amor, compreensão, empatia, liberdade, respeito pela natureza, humildade …
Ser mãe é, antes de tudo, promover a sua felicidade para que no dia de amanhã sejam adultos livres, maduros também capazes de trazer felicidade aos outros.
Laços afetivos que não julgam, não submetem
Algumas mães se surpreendem com a personalidade de seus filhos, como se quisessem, de alguma forma, que fossem exatas de si próprias ou dos pais. As julgam e até mesmo as censuram em voz alta na frente dos outros.
“As crianças não são cópias de seus pais, são criaturas livres com suas próprias características e necessidades que os adultos devem compreender e encorajar, estimular e orientá-las no caminho da felicidade.”
Ser mãe é também aceitar os nossos filhos tal como são e levá-los pelo melhor caminho. Mais tarde, incentivar a independência através da responsabilidade e envolvimento.
Não é uma tarefa fácil, mas uma vida onde você define o vínculo com seus filhos será sempre o motor à prova de fogo que lhe dará força, ar. Porque tudo valerá a pena se for feito com amor.
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Traduzido pela Equipe de O SEGREDO

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Artur e as dificuldades na alfabetização

O ano de 2015 foi desafiador em vários aspectos. Mas, especialmente no quesito Artur e escola. 
Ele que é uma criança super inteligente, ativa, participativa, alegre, apaixonado por livros e histórias, curioso, atencioso, dono de uma memória assustadora e excelente no raciocínio lógico. Começou a apresentar apatia, insegurança e nervosismo devido as dificuldades na alfabetização e novidades do 1° ano do Ensino Fundamental.
No início do ano já tínhamos ido ao Oftalmologista, Otorrino e Pediatra. E a saúde estava 100%. Mas, a Oftalmologista sugeriu que ele poderia ter lateralidade cruzada e que seria interessante verificar com um psicólogo. Em fevereiro começamos numa clínica de Psicologia onde ele fez acompanhamento por seis meses. Três dias na semana ele passava uma hora por lá com atividades de fonoaudiologia, psicomotricidade e psicoterapia. Ele começou a reagir para ir, estava reclamando que era muito chato e cansativo e eu tentei marcar uma reunião para ter um retorno, diagnóstico ou relatório e não consegui. Por isso, interrompi a Psicóloga e continuei sem respostas. Tentei outros profissionais que atendiam ao plano de saúde e não encontrei. E, no momento, não tinha como pagar uma consulta particular. E o Artur não queria nem ouvir falar que iria para a psicóloga.  
Enfim, fiquei um período sem saber o que fazer. E fui deixando acontecer. Tive momentos de estresse extremos. Perdi a conta das vezes em que me culpei. E acabei perdendo muito tempo em busca dos erros. Artur se recusava a fazer as tarefas de casa, não queria ir para a escola, chorava, dizia que era burro e chegou até a se bater. E, eu não conseguia entender o que estava acontecendo. Sangrei e chorei por dentro. Nunca havia imaginado que passaria por nada semelhante. Achava que podia viver algo parecido daqui uns cinco anos... Procurei a escola várias vezes, conversei com todos envolvidos, tirava dúvidas, levava minhas dificuldades, pedia ajuda. 
Os dias se arrastavam. Pensei em mudar de escola, em tirar da escola por um tempo, em mudar de turno. Mas eu nunca desisti. Conversava muito com o Artur todos os dias. Procurava reforçar tudo de positivo que ele fazia, elogiava todas as qualidades e aos poucos tentava tirar da boca (e da cabecinha) dele todas as palavras ruins/negativas. Chegou a semana de provas e ele não conseguiu uma boa nota em Português. Fui conversar com a professora e ela sugeriu que ele podia fazer uma prova de recuperação (que ela não considerava necessária) e recomendou uma aula particular. Artur estava presente na conversa e fez questão de fazer a prova de recuperação. Estudamos com jogos e brincadeiras em casa, fizemos alguns exercícios, ele fez três aulas com a professora particular e tirou nota máxima na prova. 
A confiança aumentou, mas ele continuava reagindo para fazer as atividades. Ele se recusava a fazer a maioria das tarefas. As nossas conversas continuavam. Eu aumentei o tempo dedicado à ele, abri mão de algumas coisas minhas, expliquei a importância que ele tinha nesse processo de aprendizado, mostrei que eu estava sempre ao lado dele, reforçava o quanto ele era importante pra mim e o quanto eu o amava. As brigas diminuíram muito. Eu mudei, me transformei. Driblei minha ansiedade, decidi aceitar o momento dele, aceitei que se ele não conseguisse faria tudo novamente no próximo ano. E falei isso para ele. Tentei sofrer menos, me cobrar menos e relaxar. Fiquei cada dia mais perto e mais atenta. Ele sentiu minha mudança e, aos poucos, mudou também. Incrível perceber toda transformação. Nossa parceria ficou mais forte. Teve momentos que eu tive que me virar e desenhar (detalhe: não sei desenhar nem aqueles bonequinhos de pauzinhos) para que ele entendesse o que eu queria dizer. E funcionou!  
Na semana passada ele fez as últimas provas do ano. A tensão tomou conta de mim. Por duas semanas revisamos a matéria, fizemos exercícios e brincamos com as palavras. 
Ontem assim que o busquei na escola ele me disse que recebeu as provas e começou a tirá-las da mochila para me mostrar. Nota 100 em Português com direito a adesivo e recadinho da professora: "Você é um vencedor! Parabéns! Amo você!". E, nota 100 em Ciências, Matemática, História e Geografia. Com mais recadinho da professora "Parabéns! Estou contente com o seu progresso!". Meus olhos se encheram de lágrimas imediatamente, fiquei um tempo sem reação e em seguida gritei "Você conseguiuuuu! Parabénssss!!!" e enchi de beijo e abraço. Ele ficou me olhando, sem jeito, e disse "Mamãe, eu vi que sou capaz, eu consigo"!!! "Sabe, mãe, é só estudar, acreditar e tentar. E, ter ajuda também, né?" 
É um fofo esse meu filho! Que Deus abençoe!
Mais uma etapa concluída com sucesso! Que venham os próximos desafios. (Costumo brincar que é parecido com os jogos de vídeo game que eu jogava quando criança. Passava um tempão tentando derrotar o chefão ou passar de fase e quando enfim conseguia vinha algo ainda mais difícil pela frente). 

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Cuidado! Você pode estar matando algo em seus filhos que jamais voltará



As crianças nascem basicamente boas, e depende da educação moral, cívica, psicológica, física e essencial recebida para que se tornem adultos que possam mudar o mundo.

Porém, a medida que as criamos, projetamos nelas nossas frustrações. Ao querermos nos realizar através da vida de um filho, nosso perfeccionismo pode MATAR a criatividade e curiosidade das crianças, sua capacidade de descobrir e decidir por si mesma.

Essa MORTE começa em casa através dos pais e da família e depois através dos professores, dos chefes, da sociedade, das pressões e das dificuldades que todos temos, independentemente de onde vivemos, até um ponto onde nós mesmos começaremos a matar nossa própria sensibilidade e nos robotizaremos de tal forma que a vida acabará passando sem nenhum significado, até o dia que morremos. Morremos por dentro, morremos para a vida, mesmo que nosso corpo ainda resista, uma vida sem significado algum.

"A morte não é a maior perda da vida. A maior perda da vida é o que morre dentro de nós enquanto vivemos. " Norman Cousins

Pais e mães: SALVEM seus filhos. Ensinem seus filhos a amarem a vida, a descobrirem com criatividade a serem felizes, a decidirem pelo melhor, a amarem com pureza independente de qualquer pressão que receberem. Ensinem seus filhos a viverem mais e melhor.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Artur foi parar na coordenação da escola

      Hoje a coordenadora da escola me ligou. Tinha acabado de sair da terceira reunião do dia. E ainda tinha que almoçar e correr para um treinamento que levaria a tarde inteira. Congelei! Enquanto ela ia falando do lado de lá, eu pensava em mil coisas: caiu, quebrou, adoeceu, bateu a cabeça, ... Acho que tinha mais de três anos que eu não recebia uma ligação da escola. 
     Enfim, o motivo da ligação foi que o Artur foi retirado de sala e encaminhado para a coordenação porque brigou com um amiguinho. Estavam brincando de guerra de almofada e ele, sem querer, machucou o amiguinho. O amiguinho bateu nele e ele bateu no amiguinho. Os outros amiguinhos chegaram para tomar partido e virou uma confusão na sala. Foram todos para a coordenação.

     Segundo a coordenadora, eles conversaram, pediram desculpas e ficaram bem. Mas disse que o Artur chorou muito. Na hora, eu quis sair correndo e ir lá na escola ver como ele estava. Mas, respirei fundo e decidi que conversaria com ele somente quando eu fosse buscá-lo. E iria esperar ele me contar o que aconteceu. Se eu fosse pela emoção, Artur iria me ver e voltar a chorar, pedir para eu conversar com o amigo e com o pai do amigo... A coordenadora me garantiu que estavam todos bem, e eu ainda tinha uma longa tarde pela frente.
     Artur não é de brigar, muito menos de bater. Ele normalmente fica emburrado. Já tinha algumas vezes que ele vinha contando que um amiguinho bateu, que o outro arranhou, que o outro mordeu, que pularam nas costas dele, que empurraram ele. E sempre dizia que ele só contava para a professora e não fazia nada. Ontem ele chegou com a batata da perna com a marca das unhas de um amigo e eu chamei a atenção dele. Falei que ele tinha que se defender, ou sair de perto, ficar longe de quem está batendo, não pode ficar apanhando e fingir que está tudo bem, senão os amiguinhos vão continuar batendo. E hoje ele reagiu e se defendeu. Sentimento de culpa! Talvez eu não deveria ter falado assim. 
     Chegou a hora da versão do Artur. Foi a primeira coisa que ele falou quando meu viu. "Mãe! Te ligaram da escola? O que falaram? É que..." E saiu contando tudo, emendando as palavras, contando todos os detalhes. "A culpa não foi minha, mãe. Eles que gostam sempre de bater e eu vou ficar longe deles. Porque meu coração é bom, eu não gosto disso". E continuou... "Sabe, a tia falou que eu chorei? É que eu fiquei muito triste. Eles são meus amigos, tava doendo aqui (pegou no peito/coração)". Abracei e beijei muito! Assim ele mata a mãe do coração, isso sim. Expliquei que não era legal brigar, que tinha que tomar cuidado com as brincadeiras, porque pode machucar e saiu todo mundo machucado. E que o melhor a fazer é que quando ele visse que ia ter briga, sair de perto, porque ele gosta muito dos amiguinhos e não é legal brigar com quem a gente gosta. 

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Ser mãe... É lindo e complexo.

Ser mãe... É lindo e complexo.
Mãe é um ser estranho que vive se cobrando a perfeição... 
Respira fundo!!!
Educar é uma arte! 
O dia a dia está longe de ser perfeito. 
Os desafios aparecem a todo momento...
Artur é um ser humano sensacional e me ensina muito! Inteligente, prestativo, educado, amoroso, cuidadoso. Mas, também tem suas dificuldades e seus defeitos como qualquer outra pessoa. E está num processo para aprender a lidar com isso.
O momento não está fácil, mas tenho certeza que logo vai passar e melhorar. E vou superar mais uma etapa com sucesso! E muito amor.
Só precisava desabafar... E dizer que não existe perfeição por aqui, mas sou muito feliz por ser mãe, com os erros e acertos.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Frases que você pode e deve dizer aos filhos todos os dias

Pesquisas e especialistas advertem: além de prazerosas, essas atitudes contam muito no desenvolvimento dos pequenos. Veja abaixo as frases poderosas que você pode dizer ao seu filho diariamente.

Eu te amo
O momento em que a criança ouve a mãe dizer "eu te amo" é muito especial. Este ato de carinho aumenta o vínculo entre mãe e filho, traz encantamento e conforto. E pode ficar na memória para sempre! 

Você é muito especial
A construção de um vínculo afetivo intenso com a mãe diminui os níveis de estresse e ansiedade da criança, tornando-a mais forte para lidar com as pressões da vida adulta. Vale a pena repetir muitas vezes o quanto ela é amada e especial para a família. 

Eu confio em você
Não tenha medo de estragar uma criança com carinho, atenção e demonstração de confiança. O que realmente faz mal é a indiferença. Também é muito importante deixar seu filho consciente das consequências e riscos dos seus atos para que ele se sinta responsável por eles.

Fico muito feliz quando você... 
Sempre que seu filho fizer algo certo ou que lhe agrade, elogie. Ele precisa ouvir o seu reconhecimento.

Você consegue / Você é capaz 
Aprender a lidar com emoções e inseguranças desde cedo é outro quesito para obter sucesso no futuro. 

Você sempre poderá contar comigo 
Demonstre amor. A criança precisa de afeto. Isso faz com que ela tenha a certeza que, aconteça o que acontecer, os pais estarão por perto para ampará-la. Os especialistas são unânimes em reconhecer que a criança amada é também mais inteligente e feliz.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Vencer ou Perder

"Vencer não é competir com o outro. É derrotar seus inimigos interiores!" Roberto Shinyashiki

Artur detesta perder, têm dificuldade em lidar com isso. Eu acredito que é necessário saber perder, reconhecer que nem todos ganham sempre e que é preciso empenho para ganhar. E, principalmente, que o mais importante é se superar sempre. E converso muito sobre isso com ele. Falo que pra mim ele sempre será campeão quando concluir a tarefa dele e fizer o melhor que ele consegue. Estarei sempre torcendo para que ele melhore e se desenvolva da melhor forma. Mas não estou nenhum pouco preocupada com o resultado dos outros. 
Hoje no final da aula de basquete teve um mini torneio entre as crianças. Quando cheguei para buscá-lo ele estava chorando porque tinha perdido. Abracei forte e enchi de beijos o meu pequeno esportista. Mostrei que os colegas que ganharam treinaram mais, participam de todas as aulas e se empenharam. Eles mereciam ganhar. E, no caso, ele estava faltando as aulas e estava desistindo de treinar. Mas, que se fosse nas aulas poderia ganhar no próximo jogo. Artur ainda não está totalmente convencido, mas já começou a pensar. E ficou bem mais calmo.  
Para ser um grande e verdadeiro esportista é preciso saber perder e ganhar. 



segunda-feira, 22 de junho de 2015

Idas e vindas do nosso cotidiano

- Artur, já está na hora de dormir! Vou te colocar na cama.
- Mãe, quero ficar grudadinho em você! Deixa eu ficar mais um pouco.
- Ok! Só mais 10 minutinhos. 
Embola no meu colo, me cheira, me beija, diz que me ama, fica me olhando com o olhar mais cheio de brilho que eu já vi, sorri e diz:
- Mãe, eu me pareço tanto com você! É a mais bonita do universo! E eu sou o mais bonito! 
- Eu já disse que te amo?
- Já! Você diz sempre e sempre e sempre!!!
- Mas eu te amo MUITO! 
- Eu taaaaambééémmmm!!
Encho de beijo, abraço, dengo, cheiro, agarro, aperto, mordo...
- Filho, já passou os 10 minutinhos. Dá um abraço e um beijo e vai dormir! 
- Mãe! É que eu fiquei muito tempo longe! (dois dias e uma noite) Eu não quero desgrudar de você. Quando eu vou ter que ir de novo? 
- Mas, filho, é só um final de semana. E, no próximo você estará comigo. Daqui uns dias seus primos chegam para vocês brincarem também. 

- As férias estão chegando? Quanto tempo demora 10 dias para passar? Já vou ter que ficar um tempão longe de novo. Eu estou com saudade! Deixa eu dormir com você?! (falando tudo bem rápido, olhos beeeem abertos e uma mãozinha parada na frente do rostinho pedindo por favor)
É pra arrebentar o coração da mãe, certeza! E eu que jurava que ia melhorar com o tempo...
- Artur, tenha calma! Uma coisa de cada vez. Vamos contar quantos dias faltam para seus primos chegarem? Depois do próximo final de semana, na terça-feira, que é depois de segunda, eles chegam. Ok? 
- E eu vou poder brincar muito com eles? 
- Vai sim! 
- Mas.... e no final de semana, eu vou ter que ir pra casa do meu pai? 
- Vai, filho... E depois você volta. 
- Ahhhhhhhhh...E, então, posso dormir com você?
- Você venceu! Pega seu travesseiro, apaga a luz do seu quarto e vamos dormir juntinhos hoje pra espantar o frio e matar a saudade!
- Oba!!! 

De manhã...

- Mãe! Obrigada! Você é a melhor mãe do mundo! Eu nem fiquei com medo, dormi muuuuito e bem quentinho!!

É, não é fácil lidar com as idas e vindas da casa do pai. Não é fácil pra mim, não é fácil para o Artur. Mas é necessário para todos. Como proceder? Respira fundo, enche o coração de amor, passa segurança e alegria pro filho, joga brilho e alegria pro ar. Atualmente, ele está indo de quinze em quinze dias, 12h de sábado e retorna às 18h no domingo. A noite de domingo sempre é complicada, Artur volta elétrico, não para de falar, quer brincar de tudo ao mesmo tempo, quer ver filme, quer comer, quer chamar atenção de todo mundo. Sempre acabamos dormindo mais tarde do que o normal e na segunda de manhã é super difícil acordar... Vamos indo, sempre em frente! 

domingo, 21 de junho de 2015

Estrelinha


- Mamãe, eu não estou gostando tanto assim da escola. Sabe, amanhã é segunda e eu não queria ir, está chato.
- Filho, na escola você encontra seus amiguinhos, aprende muita coisa. Você já está escrevendo tão bonito e já consegue ler algumas palavras...
- Mas, mãe! Seria muito mais legal se todo mundo ganhasse estrelinha todos os dias! Quando eu ganho, um amigo fica triste. E quando outro amigo ganha, eu fico triste. Não é justo!
Oooops!!!
A professora do Artur premia todos os dias um coleguinha da turma, que ela considera que melhor se comportou, fez todas as tarefas e não saiu do lugar, com uma estrelinha de papel.

domingo, 26 de abril de 2015

Dubsmash e Artur

Baixei o aplicativo Dubsmash para mostrar pro Artur. Quando teve o fervor do app nas redes sociais, ele estava numa temporada na casa do pai. Quando ele voltou eu acabei esquecendo. Mas, um dia olhando o Instagram juntos, vimos um vídeo e ele morreu de rir. Sem eu ver ele começou a gravar uns vídeos sozinho e depois veio me mostrar. Essa nova geração sabe mesmo como se virar com o celular e seus aplicativos. Detalhe: ele ainda não sabe ler, vai seguindo as imagens e a intuição.

Seguem os vídeos:







segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

A criança que fui

"A criança que fui chora na estrada.
Deixei-a ali quando vim ser quem sou;


Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui onde ficou.


Ah, como hei-de encontrá-lo? Quem errou
A vinda tem a regressão errada.

Já não sei de onde vim nem onde estou.
De o não saber, minha alma está parada.

Se ao menos atingir neste lugar
Um alto monte, de onde possa enfim
O que esqueci, olhando-o, relembrar,
Na ausência, ao menos, saberei de mim,

E, ao ver-me tal qual fui ao longe, achar
Em mim um pouco de quando era assim"

Fernando Pessoa

O déficit de atenção está no comportamento da nossa sociedade e não nas nossas crianças

“O importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá.”

Madre Teresa de Calcuta

O déficit de atenção está no comportamento da nossa sociedade e não nas nossas crianças

Marcela Picanço

Fonte: www.lounge.obviousmag.org

Alguns dados apontam que nos últimos anos os casos de Déficit de Atenção triplicaram entre nossas crianças. Eu estou entre uma dessas crianças. Com uns treze anos comecei a tomar um remédio com tarja preta chamado Ritalina, que pra mim, de fato fazia uma diferença enorme. Quando eu era criança fui chamada várias vezes de hiperativa, desconcentrada. Meus professores adoravam falar como eu me dispersava rápido. Engraçado, continuo assim, mas hoje tento usar isso ao meu favor. O remédio vai soltando doses ao longo do dia e pode durar até 8 horas. Tomava antes de ir para escola e ficar ligada na aula. Nunca fui boa em matemática, física, química, mas me esforçava o bastante pra não ficar de recuperação. Lembro que eu achava que o remédio fazia uma diferença significativa na hora de fazer uma prova. Eu realmente me transformava, durante 8 horas, em uma pessoa mais focada. O déficit de atenção é mais comum do que se imagina.

Assim que entrei na faculdade resolvi largar o remédio. Fui percebendo, ao longo dos anos, que eu não precisava dele para escrever uma boa redação, ou pra ler um livro que eu gostava, nem pra fazer prova de história. Não precisei do remédio para decorar um dos meus primeiros textos de teatro. Eu nem tomava o remédio pra ir pra aula de teatro e eu era uma pessoa igualmente focada nessas aulas. Foi aí que minha mãe resolveu perguntar à minha médica por que eu ficava concentrada nas coisas que eu gostava de fazer. Ela disse que isso era normal. Nas áreas que eu tinha mais habilidade, os sintomas não apareciam de modo que me atrapalhassem. Que doença engraçada, né? Mal do século, eu diria. A nossa sociedade está criando doenças para quem estiver fora do padrão de comportamento esperado.

Então, vi que o problema não estava em mim e nem na maioria das crianças que precisa tomar um remédio para entrar num padrão social. O problema está no nosso ensino totalmente precário, que se preocupa mais se o aluno vai passar em medicina do que se ele será um bom cidadão.É claro que em alguns casos específicos, o uso da Ritalina é de extrema importância e eficácia, mas acredito que, na maioria das vezes, o Déficit de atenção poderia ser tratado de outras formas. Estudei minha vida toda numa escola diferente, que se importava com a cabeça dos seus alunos e valorizava o que eles tinham de melhor, incentivando a arte, o esporte e a ciência. Lembro que as notas eram dividias em 40% de provas e os outros 60% eram de comportamento. Se você soubesse lidar bem com um grupo, participasse da aula, fosse educado e responsável, já era o suficiente pra passar de ano. E ninguém deixava de estudar, afinal queríamos ter notas boas. Depois fui pra uma escola que tinham tantos alunos que os professores não conseguiam gravar o nome nem dá metade deles. Nunca mais falamos em preconceito ou direitos humanos. Nunca mais falamos sobre ler livros sem ser por obrigação. Depois, mais tarde, os professores reclamavam que líamos pouco, mas como, se tínhamos tão pouco incentivo? Lembro que na minha outra escola ganhei gosto pela leitura quando eu ainda era bem pequena. Devorava livros e mais livros, afinal a gente tinha uma aula só de leitura.

Me mudei para essa nova escola porque eu precisava passar no vestibular, mas eu não via sentido nenhum em nada daquilo. Fui me sentindo cada vez mais idiota porque eu não conseguia ir bem em nenhuma matéria de exatas, mas falaram que pra passar no vestibular era preciso saber mais exatas do que humanas. Aumentei a dose do remédio Ritalina pra poder ficar pelo menos na média. Fico pensando quantas crianças vão ter que se sentir burras e diferentes e tomar um remédio tarja preta pra ficar na média na escola, pra ficar na média na vida, pra ser sempre medíocre porque a educação não nos dá a oportunidade de sermos brilhantes. No ensino médio os adolescentes são constantemente comparados, como em uma empresa, para que haja desde cedo um espirito de competição. Infelizmente essa competição é completamente injusta, pois as pessoas têm habilidades diferentes. Como já disse Albert Einstein “Todo mundo é um gênio, mas se você julgar um peixe por sua capacidade de subir em árvores, ele passará sua vida inteira acreditando ser estúpido” e é exatamente isso que nosso ensino faz.

A qualidade de uma escola é medida pelo número de aprovações que seus alunos têm no vestibular e não pela pessoa que ela está formando para o mundo. Como queremos ter profissionais mais dedicados se, desde pequenos, somos ensinados que se importar com o outro não é o que importa, mas sim ser sempre melhor que todo mundo? Infelizmente, nossa educação forma pessoas cada vez mais quadradas, que pensam dentro de uma caixinha. Não se permitem ir atrás das informações e nem na melhor forma de resolver problemas. As aulas de artes são totalmente técnicas e insuportáveis. Não nos dão oportunidade de sermos realmente quem queremos ser e crescemos adultos chatos, controladores e depressivos.

Infelizmente nosso comportamento é resultado da educação que tivemos e isso só vai mudar quando todas as áreas foram igualmente valorizadas nas escolas e entre os alunos. Cada vez teremos mais crianças com déficit de atenção. Principalmente agora com a tecnologia, que todas elas podem ter acesso rápido a tudo. Por que elas ficariam prestando atenção em uma aula chata? Por que elas ficariam prestando atenção em algo que elas podem aprender em um segundo procurando no Google? O nosso sistema educacional precisa mudar rapidamente, pois não podemos achar que o ensino pode continuar o mesmo de 20 anos atrás, onde não existia tanta informação com facilidade. As crianças estão perdendo o interesse na escola. Elas estão vendo o mundo de possibilidades que existe ao redor delas, vendo tudo que elas podem criar e transformar e os colégios continuam insistindo naquele velho formato. Todas as pessoas têm uma genialidade, mas o mundo insiste, por algum motivo que sejamos medíocres, dentro de um padrão. Não valorizam o aluno bagunceiro, nem o que vive no mundo da lua. Esses que no futuro provavelmente serão os adultos mais criativos. A nossa educação mata a nossa criatividade. Na escola não temos nenhuma oportunidade de nos mostrar e nem de crescer intelectualmente, pois quanto mais velhos ficamos, taxam de ridículo aquilo que fazemos de diferente, mas que se for estimulado, poderia ser genial. É triste a situação em que vivemos, mas já foram inauguradas escolas com uma proposta totalmente diferente de ensino, onde as matérias não são separadas, mas são aprendidas juntas, como se fosse uma só. Os alunos também não são separados por turmas de acordo com a idade, mas sim por habilidades que os alunos apresentam. Espero que esse realmente seja o futuro do nosso ensino e que não criemos mais doenças para fazer as crianças se sentirem anormais. “Somos todos folhas da mesma árvore”, esse era o lema da minha primeira escola. Ainda bem que aprendi assim.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015