quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Artur e as dificuldades na alfabetização

O ano de 2015 foi desafiador em vários aspectos. Mas, especialmente no quesito Artur e escola. 
Ele que é uma criança super inteligente, ativa, participativa, alegre, apaixonado por livros e histórias, curioso, atencioso, dono de uma memória assustadora e excelente no raciocínio lógico. Começou a apresentar apatia, insegurança e nervosismo devido as dificuldades na alfabetização e novidades do 1° ano do Ensino Fundamental.
No início do ano já tínhamos ido ao Oftalmologista, Otorrino e Pediatra. E a saúde estava 100%. Mas, a Oftalmologista sugeriu que ele poderia ter lateralidade cruzada e que seria interessante verificar com um psicólogo. Em fevereiro começamos numa clínica de Psicologia onde ele fez acompanhamento por seis meses. Três dias na semana ele passava uma hora por lá com atividades de fonoaudiologia, psicomotricidade e psicoterapia. Ele começou a reagir para ir, estava reclamando que era muito chato e cansativo e eu tentei marcar uma reunião para ter um retorno, diagnóstico ou relatório e não consegui. Por isso, interrompi a Psicóloga e continuei sem respostas. Tentei outros profissionais que atendiam ao plano de saúde e não encontrei. E, no momento, não tinha como pagar uma consulta particular. E o Artur não queria nem ouvir falar que iria para a psicóloga.  
Enfim, fiquei um período sem saber o que fazer. E fui deixando acontecer. Tive momentos de estresse extremos. Perdi a conta das vezes em que me culpei. E acabei perdendo muito tempo em busca dos erros. Artur se recusava a fazer as tarefas de casa, não queria ir para a escola, chorava, dizia que era burro e chegou até a se bater. E, eu não conseguia entender o que estava acontecendo. Sangrei e chorei por dentro. Nunca havia imaginado que passaria por nada semelhante. Achava que podia viver algo parecido daqui uns cinco anos... Procurei a escola várias vezes, conversei com todos envolvidos, tirava dúvidas, levava minhas dificuldades, pedia ajuda. 
Os dias se arrastavam. Pensei em mudar de escola, em tirar da escola por um tempo, em mudar de turno. Mas eu nunca desisti. Conversava muito com o Artur todos os dias. Procurava reforçar tudo de positivo que ele fazia, elogiava todas as qualidades e aos poucos tentava tirar da boca (e da cabecinha) dele todas as palavras ruins/negativas. Chegou a semana de provas e ele não conseguiu uma boa nota em Português. Fui conversar com a professora e ela sugeriu que ele podia fazer uma prova de recuperação (que ela não considerava necessária) e recomendou uma aula particular. Artur estava presente na conversa e fez questão de fazer a prova de recuperação. Estudamos com jogos e brincadeiras em casa, fizemos alguns exercícios, ele fez três aulas com a professora particular e tirou nota máxima na prova. 
A confiança aumentou, mas ele continuava reagindo para fazer as atividades. Ele se recusava a fazer a maioria das tarefas. As nossas conversas continuavam. Eu aumentei o tempo dedicado à ele, abri mão de algumas coisas minhas, expliquei a importância que ele tinha nesse processo de aprendizado, mostrei que eu estava sempre ao lado dele, reforçava o quanto ele era importante pra mim e o quanto eu o amava. As brigas diminuíram muito. Eu mudei, me transformei. Driblei minha ansiedade, decidi aceitar o momento dele, aceitei que se ele não conseguisse faria tudo novamente no próximo ano. E falei isso para ele. Tentei sofrer menos, me cobrar menos e relaxar. Fiquei cada dia mais perto e mais atenta. Ele sentiu minha mudança e, aos poucos, mudou também. Incrível perceber toda transformação. Nossa parceria ficou mais forte. Teve momentos que eu tive que me virar e desenhar (detalhe: não sei desenhar nem aqueles bonequinhos de pauzinhos) para que ele entendesse o que eu queria dizer. E funcionou!  
Na semana passada ele fez as últimas provas do ano. A tensão tomou conta de mim. Por duas semanas revisamos a matéria, fizemos exercícios e brincamos com as palavras. 
Ontem assim que o busquei na escola ele me disse que recebeu as provas e começou a tirá-las da mochila para me mostrar. Nota 100 em Português com direito a adesivo e recadinho da professora: "Você é um vencedor! Parabéns! Amo você!". E, nota 100 em Ciências, Matemática, História e Geografia. Com mais recadinho da professora "Parabéns! Estou contente com o seu progresso!". Meus olhos se encheram de lágrimas imediatamente, fiquei um tempo sem reação e em seguida gritei "Você conseguiuuuu! Parabénssss!!!" e enchi de beijo e abraço. Ele ficou me olhando, sem jeito, e disse "Mamãe, eu vi que sou capaz, eu consigo"!!! "Sabe, mãe, é só estudar, acreditar e tentar. E, ter ajuda também, né?" 
É um fofo esse meu filho! Que Deus abençoe!
Mais uma etapa concluída com sucesso! Que venham os próximos desafios. (Costumo brincar que é parecido com os jogos de vídeo game que eu jogava quando criança. Passava um tempão tentando derrotar o chefão ou passar de fase e quando enfim conseguia vinha algo ainda mais difícil pela frente). 

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Cuidado! Você pode estar matando algo em seus filhos que jamais voltará



As crianças nascem basicamente boas, e depende da educação moral, cívica, psicológica, física e essencial recebida para que se tornem adultos que possam mudar o mundo.

Porém, a medida que as criamos, projetamos nelas nossas frustrações. Ao querermos nos realizar através da vida de um filho, nosso perfeccionismo pode MATAR a criatividade e curiosidade das crianças, sua capacidade de descobrir e decidir por si mesma.

Essa MORTE começa em casa através dos pais e da família e depois através dos professores, dos chefes, da sociedade, das pressões e das dificuldades que todos temos, independentemente de onde vivemos, até um ponto onde nós mesmos começaremos a matar nossa própria sensibilidade e nos robotizaremos de tal forma que a vida acabará passando sem nenhum significado, até o dia que morremos. Morremos por dentro, morremos para a vida, mesmo que nosso corpo ainda resista, uma vida sem significado algum.

"A morte não é a maior perda da vida. A maior perda da vida é o que morre dentro de nós enquanto vivemos. " Norman Cousins

Pais e mães: SALVEM seus filhos. Ensinem seus filhos a amarem a vida, a descobrirem com criatividade a serem felizes, a decidirem pelo melhor, a amarem com pureza independente de qualquer pressão que receberem. Ensinem seus filhos a viverem mais e melhor.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Artur foi parar na coordenação da escola

      Hoje a coordenadora da escola me ligou. Tinha acabado de sair da terceira reunião do dia. E ainda tinha que almoçar e correr para um treinamento que levaria a tarde inteira. Congelei! Enquanto ela ia falando do lado de lá, eu pensava em mil coisas: caiu, quebrou, adoeceu, bateu a cabeça, ... Acho que tinha mais de três anos que eu não recebia uma ligação da escola. 
     Enfim, o motivo da ligação foi que o Artur foi retirado de sala e encaminhado para a coordenação porque brigou com um amiguinho. Estavam brincando de guerra de almofada e ele, sem querer, machucou o amiguinho. O amiguinho bateu nele e ele bateu no amiguinho. Os outros amiguinhos chegaram para tomar partido e virou uma confusão na sala. Foram todos para a coordenação.

     Segundo a coordenadora, eles conversaram, pediram desculpas e ficaram bem. Mas disse que o Artur chorou muito. Na hora, eu quis sair correndo e ir lá na escola ver como ele estava. Mas, respirei fundo e decidi que conversaria com ele somente quando eu fosse buscá-lo. E iria esperar ele me contar o que aconteceu. Se eu fosse pela emoção, Artur iria me ver e voltar a chorar, pedir para eu conversar com o amigo e com o pai do amigo... A coordenadora me garantiu que estavam todos bem, e eu ainda tinha uma longa tarde pela frente.
     Artur não é de brigar, muito menos de bater. Ele normalmente fica emburrado. Já tinha algumas vezes que ele vinha contando que um amiguinho bateu, que o outro arranhou, que o outro mordeu, que pularam nas costas dele, que empurraram ele. E sempre dizia que ele só contava para a professora e não fazia nada. Ontem ele chegou com a batata da perna com a marca das unhas de um amigo e eu chamei a atenção dele. Falei que ele tinha que se defender, ou sair de perto, ficar longe de quem está batendo, não pode ficar apanhando e fingir que está tudo bem, senão os amiguinhos vão continuar batendo. E hoje ele reagiu e se defendeu. Sentimento de culpa! Talvez eu não deveria ter falado assim. 
     Chegou a hora da versão do Artur. Foi a primeira coisa que ele falou quando meu viu. "Mãe! Te ligaram da escola? O que falaram? É que..." E saiu contando tudo, emendando as palavras, contando todos os detalhes. "A culpa não foi minha, mãe. Eles que gostam sempre de bater e eu vou ficar longe deles. Porque meu coração é bom, eu não gosto disso". E continuou... "Sabe, a tia falou que eu chorei? É que eu fiquei muito triste. Eles são meus amigos, tava doendo aqui (pegou no peito/coração)". Abracei e beijei muito! Assim ele mata a mãe do coração, isso sim. Expliquei que não era legal brigar, que tinha que tomar cuidado com as brincadeiras, porque pode machucar e saiu todo mundo machucado. E que o melhor a fazer é que quando ele visse que ia ter briga, sair de perto, porque ele gosta muito dos amiguinhos e não é legal brigar com quem a gente gosta.